Lilian

Lilian rolou na cama com os olhos arregalados, afundados em olheiras e arqueando as sobrancelhas. Várias garrafas d’água, já quentes, e volta do colchão estirado no chão. Luz artificial há dois… Três dias? Não dava pra saber pela janela, há tempos não a abria. O quarto era parte dela e ela dos cobertores – que férias lastimáveis. Como se nada fosse importante o bastante para chamar sua atenção, como se tudo estivesse fugindo, mais longe; como se Lilian estivesse afundando e afundando sem ajuda e sem se debater, num oceano perto de sei lá onde. Desde quanto estava se sentindo assim? Carente a ponto de chorar com o toque do travesseiro, que envolvia num abraço aconchegante por uns dez segundos e meio. Com saudade de várias pessoas de quem queria ser amiga, ou amante, mas que não ligavam para sua existência. Lilian não sabia, mas as dores só passavam quando ela dormia.

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