Insônia

Tenho que dar um jeito na minha insônia. Tenho que dar um jeito no que a causa, cortar pela raiz. Você vai dizer que é o café, meus pais vão dizer que é porquê eu dormi à tarde e, depois que eu negar, também vão dizer que é o café. Pois estão todos errados. Minha insônia é ela. Meu veneno é seu perfume. Seu sorriso é minha cocaína, que me entorpece e alivia. Minha insônia é a lembrança e a saudade do que nunca aconteceu. Minha insônia é relembrar momentos, pensando nas diferentes atitudes que eu poderia ter tomado e, então, inventar uma sequência a partir daí (se possível com um final feliz). Minha insônia é o cheiro das fronhas, é não a ter do meu lado na cama, é não sentir seu braço me envolver à noite. Minha insônia, que se casa com as músicas do rádio, que me faz solitário junto de melodias que eu, por mim, não ousaria compor, me violenta. Minha insônia atormenta, dói e sara. Quem me dera eu poder me servir novamente dela, me debruçar em tigelas transbordando nós dois. Quem me dera jogarmos juntos, falar dos outros, trocar segredos e cochichar à noite. Quem me dera, quem me dera. Minha insônia grita e eu não sei como fazê-la se calar. Eu tenho que quebrar o hábito esta noite, ou minha insônia vai acordar os vizinhos e fugir de mim. Eu tenho que mantê-la quieta e junto aqui, pois foi tudo que me restou daquele amor.

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