Ground Control to Major Tom

Okay deve ter mais de ano que não atualizo aqui. Não contei mas acho que é algo assim. Tenho escrito ainda, sim, no tuíter (kkk) e nos meus cadernos, em meio aos desenhos. Minha vontade de escrever decaiu juntinho com minha rotina de leitura e, bom, os adultos estavam certos: foi culpa do celular. Sei la como ou muito menos porque, não consigo focar muito em nada pra ler agora. Preciso me treinar de volta, acho que é o caso.

Bom, estou terminando o tcc. Ou melhor, o ultimo semestre do curso esta terminando, porque meu tcc nem tanto. Na apresentação teste questionaram se meu tema era realmente relevante pra comunidade da área. Gente??? Um ano e meio de trabalho depois? Por que ninguém me parou antes? O tcc que se defenda.

Vou tentar postar algo poético aqui em comemoração ao fim do curso e tudo mais, se eu não ficar preso la por falta de horas complementares (oq é muitíssimo provável)

Grande abraço a quem ainda está por ai (se ler dê um like, comentário ou sinal. Sinto falta de vocês, quero noticias)

pazz e luz

Frente aos olhos

Há quem diga que não se movem os campos verdes perante os olhos daquele que preso ao chão está, pois a gravidade há de matar os sonhos de flutuar para fora do caos que as cidades criaram no momento em que o primeiro prédio foi erguido. Este, impenetrável, também jamais se moverá perante seu olhar pois teus pés permanecem presos e seus braços balançam cegamente no ar com uma brisa qualquer que os atinja.

Olhai, amigo, com os olhos, ao invés de chacoalhar-te os braços com meras brisas insignificantes, pois os significados estão nas terras e nos prédios imóveis, conservados e imutáveis através dos tempos — e não nas brisas da dinamicidade e da renovação.

Ser e não ser

O som da marcha lenta fazia-o entrar em transe. Repetitivo, estagnado – um ronco leve ecoando pelas quadras desertas da cidade no fim de uma tarde preguiçosa de sábado. Era difícil dizer quando essa profissão havia se tornado sua paixão: vaguear por vielas e manobrar por becos de bairros com população duvidosa… Levar pessoas aos lugares. Teria sido escolha própria atuar como taxista? Era sua paixão? Ou apenas um fruto da obrigação de conseguir dinheiro que se uniu à paralisia confortável de evitar o conflito da mudança, tornando-se o tal estilo de vida que ele tanto criticara? Tais indagações podiam acabar derretendo a mente de qualquer um se feitas de forma precipitada ou antes do primeiro gole amargo de café pela manhã.

Qual era o significado do seu trabalho em meio a todo aquele lixo capitalista empregnado a cada esquina? Qual o significado de mais um carro nas ruas… qual a importância? As bolhas de fumaça escura não eram diferentes de qualquer outro velho carro perambulante que se pudesse topar pela metróple. Era essa sensação de ser só mais um engolido pela grandiosidade cruel dos aglomerados de concreto e condomínios perfeitos com famílias perfeitas e carros automáticos perfeitos que fazia o peito do nosso protagonista se contorcer em uma angústia incurável, pois era muito difícil competir com tudo aquilo.

É difícil competir com certos padrões que, eventualmente, se tornaram altos demais, excluindo sem cerimônia quaisquer que fossem os homens simples de habilidades medíocres.

Pena. O mundo agora é dos perfeitos, certo?

De qualquer forma não havia mais tempo para esse tipo de devaneio — tinha um novo cliente para pegar, no centro mesmo.

Não dá para fugir da cidade o tempo todo

Não dá para fugir da cidade o tempo todo. Seus aglomerados de concreto armado vão emergir com sombras quentes no fim da tarde e eventualmente essas mesmas sombras vão tocar você. O Sol vai fazer um caminho de ziguezague improvável por meio dos reflexos nas janelas dos apartamentos e perfurar seus olhos como uma britadeira sanguinária. Você pode checar o celular e tentar disfarçar – e está tudo bem – mas vai ser impossível não notar os passos sinuosos nas calçadas do centro. Você vai tossir com a fumaça de cigarro e não vai saber de onde ela veio.

O congestionamento é de praxe. Ninguém buzina mais, todos sabem que às cinco e meia o trânsito vai travar. Seria o universo obrigando a humanidade a apreciar o céu dourado, com suas nuvens poluídas se aglomerando sufocadas em ar quente? Bom, pelo menos os prédios ficam bonitos – os reflexos. Engraçado você tossir com a fumaça do cigarro quando você mesmo é fumante. Abrindo o vidro do carro para cuspir uma nuvem de fumaça densa, melancólica e comum… Como todas as outras saindo dos carros em volta. Olhar ao redor e ver todos os outros motoristas grudados no celular é uma dádiva que poucos tem, já que poucos estão fora do celular numa hora dessas. Ainda bem que você tem um salário de merda, que te obriga a estar com o mesmo celular por quatro anos, não é mesmo? Sua bateria não dura nada.

No carro à frente uma careca suada cintila no retrovisor do teto e você pode observar um sorriso malicioso se formando no rosto engordurado, abatido pelas dez mil crises de meia idade que o sujeito deve ter tido na última semana. Pornografia grátis na palma da mão, a um deslize de distância. É incrível como o avanço da idade gera falta de julgamento – “Vamos ver esse vídeo pornô em público, que mal tem?” É esse tipo de velho tarado filho da puta que disputa espaço no Facebook com seus filhos de oito anos. Vamos lá, hora do julgamento de estranhos, você não tem nada melhor para fazer numa hora dessas.

Esse cara deve ter o quê? Uns cinquenta anos… Casado; está voltando do trabalho com certeza e… Espera. O que é aquilo? Uma criança estava deitada no banco de trás e se levantou sonolenta agora. Ele guardou o celular rápido – ok, ainda tem algum senso de depravação. Buscando o filho na escola, talvez? Então é desempregado, a esposa cuida da casa – provavelmente. Cansada todos os dias ao chegar do trabalho, vai dormir sem foder com ele. Cansada de foder com algum júnior recém contratado, mais forte e com sede de buceta. Ah, essas pessoas nunca mudam, julgá-las, às vezes, pode ser até tão chato quanto ler a seção de fofocas de um jornal impresso. Seu cigarro acabou, ótimo: dez minutos a menos nesse mundo dos infernos.

Você volta seu olhar para dentro do carro agora e se julga. É natural, não se preocupe. Afinal, quem é você? A porra do Sherlock Holmes? Quem dera. Suas olheiras são sexys, tem gente que gosta. Sua êx gostava. Você desvia o olhar rápido do retrovisor, com medo de ver o fantasma dela no banco de trás. Vamos lá, um inventário do lixo espalhado pelo seu carro pode ser um ótimo passatempo.

Feixes de luz alaranjados cortam seu para-brisas e acertam os bancos de forma furiosa, quente. As partículas dançam no ar iluminado – você vem respirando todo esse pó a vida toda? Cala a boca, você fuma. O painel, cheio de digitais engorduradas, algumas moedas e um batom ressecado. Você devia jogar isso fora, cara. Seria algum tipo de perversão ter a mente invadida por imagens lentas daquela safada passando o batom do painel nos lábios cintilantes? Devagar, você pode ouvir até mesmo o atrito da massa de cor artificial rasgando caminho pelos lábios nada inocentes – ela está com sua camiseta, que fica sedutoramente grande demais para ela, seus mamilos sem sutiã marcados sob o tecido branco enquanto ela…

Caramba, qual a diferença entre você e aquele velho?

Dor de cabeça. Muita dor. Você deveria ter comprado óculos escuros assim que essa temporada de calor desgraçada começou, suas vistas estão fodidas. Deve ter um par de analgésicos em algum lugar do carro, você anda viciado nisso mesmo. Não anda sem. Eles aterrissam amargos na sua língua, secos… E você os engole, sem água mesmo. Não dá para evitar, seus olhos percorrem o perímetro do caro e você vê no assoalho o que parece ser os restos mortais de uma garrafa de água mineral, com milhares de gotículas grudadas à superfície interna; qualquer que fosse o líquido armazenado ali, já havia evaporado a essa hora. O trânsito anda alguns metros. É sempre assim. Agora, deve estar começando algum programa de esportes no rádio, mas você vai colocar sua própria música. A humanidade já tem pendrives, mas todo o equipamento high-tech que seu carro pode ostentar é um toca-fitas de vinte reais. A tarde vai ser longa, meu camarada.

Eu te beijei nas simulações que fiz de você

É que quando a gente acaba se apaixonando fica difícil evitar eternizar, seja numa música, história ou fotografia. Aqui está a letra de uma música que fiz para alguém importante hoje.

I Kissed you in my Simulations

What could a smile tell?
Would you feel it like I’ve felt?
Because that’s how I feel now,
I wish I could put it down.

And when your body is not around,
Or when your voice cannot be found,
I reach you by some other way,
I create you in the games I play.

But, that’s something I won’t tell anyone but you,

I kissed you in my simulations.

Embrace me once again before you leave,
Surround me with your kindness.
Cause that’s something I can’t have
On my digital lyings.

And I’ll only tell you this time,
I kissed you in my simulations.

Eu te beijei nas simulações que fiz de você

O que um sorriso poderia contar?
Você se sentiria como eu me senti?
Porque é assim que me sinto agora,
Eu gostaria de poder calar isso.

E quando seu corpo não está por perto,
Ou quando sua voz não pode ser encontrada,
Eu te alcanço por outro caminho,
Eu te crio nos jogos que eu jogo.

Mas isso é algo que eu não vou contar a ninguém além de você

Eu te beijei nas simulações que fiz de você.

Abrace-me mais uma vez antes de sair
Me envolva com sua gentileza.
Porque isso é algo que eu não posso ter
Nas minhas mentiras digitais.

E eu só vou te contar dessa vez
Eu te beijei nas simulações que fiz de você.

meu aniversario esta batendo na minha porta e tudo o que consigo pensar é ‘minha nossa eu perdi tudo’. tanto tempo jogado fora, deitado, ou não fazendo nada. sei lá, é como se uma grande parte da vida estivesse escorrendo pelos meus dedos e não posso fazer nada além de olhar.

e tem ainda a sensação de abandono. por parte dos meus amigos, que mesmo estando la, sinto que não estão por completo. mas é claro, cada um tem sua vida, todos adultos agora. a vida não é como nos filmes, e as amizades de infancia não sao tao lindas quanto no filme ‘estraordinario’. então essa é a sensação de ser adulto? se sentir vazio, sustentado por nada além das obrigações e contas? não quero fazer da minha vida uma eterna busca por um salario maior.

e é assim, sentindo ter jogado a vida fora, deixado meio sozinho no canto e com poucas esperanças de uma melhora que estou iniciando o ano que jurei ser o melhor de todos. é tudo resumido numa imensa tristeza injustificável que tem manifestações físicas, como dores de estômago e apatias momentaneas

nao paro de me perguntar se vale mesmo a pena continuar tentando lidar com todo esse terror psicológico ou se devo fugir da cidade de carona e começar uma vida nova na finlandia ou sei lá

boa noite

Mais um movimento brusco e estamos todos acabados pra valer

É fácil encontrar corpos frágeis hoje em dia, como antigamente se encontravam listas telefônicas. Me pergunto se um dia a fragilidade desaparecerá também… Ou será que se tornará digital? (como as listas telefônicas).

Pensando assim, já se tornaram. Acredite em mim. Se fosse mentira, eu não estaria tão triste porque ela parou de responder minhas mensagens.

Parece até que o simples ato de amar virou um fardo, daqueles bem pesados. E ninguém quer carregar isso poraí… Quem carrega, basta um movimento brusco e está tudo acabado. Corda bamba é coisa do passado, a moda agora e apostar quanto tempo o casal dura.